Quem procura acompanhantes em Santa Maria quase sempre pede o endereço cedo demais. Rua e número são a última linha da conversa, nunca a primeira. Antes deles vem o lugar: de quem ele é, quem paga por ele, como se entra ali. Isso se resolve por escrito, em seis perguntas curtas. Vale dizer de saída que há cidades com esse nome em outros estados. Aqui se fala da que fica no centro do Rio Grande do Sul. É uma praça compacta, e as mesmas pessoas circulam pelos mesmos pontos. Por isso combinar o local pesa mais do que escolher o horário. A conta da hora fica em R$ 270 pelas fichas da cidade, e não é ela que está em jogo aqui. Em jogo está a ordem das perguntas.
Antes de pedir o endereço: seis perguntas
As seis cabem numa mensagem só. Nenhuma pede rua, número ou ponto exato. Por isso nenhuma esfria a conversa com a acompanhante. Respondidas, sobra acertar a hora.
- O lugar é dela, ou arrumar o quarto fica com você?
- Sendo o lugar dela: o apartamento é só dela ou dividido?
- O prédio tem portaria, e o porteiro anota quem sobe?
- Sendo motel: qual deles, e quem chega primeiro ao portão?
- Se a garota sai: existe taxa de deslocamento, e ela vai a qualquer bairro?
- Em que bairro fica o ponto, para você calcular o trajeto?
A ordem não é aleatória. A primeira decide as outras cinco. Se o quarto for despesa sua, metade da lista muda de dono. Faça ela antes de falar em horário.
A segunda e a terceira existem por causa do tamanho da cidade. Portaria guarda registro de visita, e às vezes pede documento. Numa praça assim, esse registro pesa. Parte das acompanhantes avisa a portaria no dia anterior. Outra parte prefere que você suba calado.
A quarta e a quinta tratam de dinheiro, mas não do valor do programa. Suíte e deslocamento são contas separadas. Elas aparecem na hora errada quando ninguém pergunta antes.
Olhar foto não ajuda nessa parte. Um anúncio daqui traz 67 imagens em média, e nenhuma delas mostra o prédio. Só o texto da ficha diz onde a garota recebe.
A sexta parece dispensável e não é. Bairro sai fácil, já na primeira resposta. Rua e número chegam depois, com o horário fechado. Aproveite para ver se a acompanhante declara na ficha que é maior de 18 anos.
Onde o encontro costuma acontecer em Santa Maria
O motel é a resposta mais frequente: 70 % das fichas da cidade aceitam esse formato. Onde as caras se repetem, ninguém quer entrar no prédio do outro. Motel no Brasil não é hospedagem de estrada. É comércio feito só para isso. Garagem fechada por conta, escada que sobe direto à suíte, acerto numa janelinha na saída.
Logo atrás vem o hotel, com 64 % das fichas de acompanhantes de Santa Maria dizendo que ela sobe até o quarto do cliente. A fatia é alta para uma cidade deste porte, e tem razão local. A cidade recebe gente de fora o ano inteiro, por causa da universidade, dos quartéis e dos hospitais. Quem dorme duas noites aqui já tem quarto pago.
O local próprio é minoria. Para cerca de 21 % das fichas o atendimento é exclusivamente com local, sem nenhuma saída. O resto das garotas mistura dois ou três formatos na mesma ficha. Aí a primeira pergunta da lista não se responde sozinha.
Bairro é o segundo recorte. O Centro concentra 80 % dos anúncios de acompanhantes em Santa Maria. Nossa Senhora do Rosário e Camobi vêm atrás, e Camobi fica bem fora do miolo. Quem atende de lá dificilmente emenda dois horários em pontos opostos.
A domicílio aparece nas fichas, mas nenhuma contagem local diz quantas garotas de programa saem de casa. Pergunte em vez de supor.
Fora da cidade a oferta é fina. São Sepé fica a cerca de 50 minutos e é a praça mais cara da região. Júlio de Castilhos e Agudo também têm anúncio. Quem anuncia de fora escreve na própria ficha até onde vai.
Nos classificados a cidade às vezes vem abreviada, e acompanhantes SM é a mesma busca. Quem procura acompanhantes trans em Santa Maria faz as mesmas seis perguntas, na mesma ordem.
Quando o plano muda na última hora
Combinado por escrito ainda muda. Por aqui muda de três jeitos: o motel lota, o horário escorrega, ou o endereço não bate.
Motel cheio é caso de sábado à noite. Suíte não se reserva como quarto de hotel, e com o pátio lotado a espera é no portão. Por isso a segunda casa precisa estar combinada antes. Pergunte qual é o outro motel que a acompanhante costuma usar. Quase todas têm um na manga.
Horário que escorrega é o caso mais comum. O movimento daqui se concentra à tarde, das 12h às 17h. Dentro dessa janela os encaixes ficam colados um no outro. Atrasou o primeiro, atrasa o seu. Se a garota avisa vinte minutos, conte meia hora.
De madrugada o problema inverte: não há com quem remarcar. Só 9 % das fichas marcam esse turno. Acompanhante que sai do ar de noite não responde antes do meio-dia.
Endereço que não bate fecha a lista. O número não existe, ou o prédio tem outro nome na fachada. Nessa hora não vale perguntar a ninguém na rua. Pare, mande mensagem e espere. Dar voltas no mesmo quarteirão chama mais atenção do que uma visita.
Combine também um limite de espera antes de sair de casa. Meia hora é o costume entre as acompanhantes daqui.
Nos três casos a saída é a mesma. Remarque por escrito, no mesmo lugar onde vocês combinaram, e refaça a pergunta um. Mudou o lugar, mudou quem paga o quarto, e isso precisa ficar escrito antes de você sair de casa.